quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Curitiba vai testar ônibus biarticulado elétrico híbrido

29/10/2014 - Gazeta do Povo


Um novo modelo de ônibus – elétrico híbrido e biarticulado – será desenvolvido e testado em Curitiba. O protocolo de intenções de eletromobilidade na Linha Verde foi assinado na manhã de ontem entre a prefeitura, a Volvo do Brasil, UTFPR e operadores do sistema. O veículo que será desenvolvido na cidade segue o mesmo padrão da montadora: vai operar 70% no modo elétrico e 30% com outra fonte de energia – diesel ou biodiesel. A novidade é que daqui sairá o modelo biarticulado que, posteriormente, passará a compor o portfolio de produtos da empresa.

De acordo com Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America, as unidades de protótipos devem iniciar os testes em maio ou junho de 2016. Já os modelos definitivos estarão nas ruas em 2017. O projeto não traz custos para o município: é bancado pela empresa e por um instituto sueco de inovação.

O presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Junior, destaca que esse é um momento simbólico, de início de nova fase do transporte coletivo, que busca por soluções sustentáveis. Gregório ressaltou que Curitiba sempre teve uma trajetória de liderança e inovação no que diz respeito ao transporte público e essa ação vem somar para a capital seguir capitaneando um movimento. "Esse é mais um esforço no sentido de agregar inovações com qualidade e sustentabilidade na cidade", afirmou.

Pimenta destacou a parceria entre a empresa e a cidade, lembrando que foi na capital paranaense que nasceu o modelo biarticulado da montadora, que hoje é solução em outros países. "Mais uma vez, Curitiba consegue trazer os melhores técnicos para a cidade e faz transferência de tecnologia", afirma.

Para prefeito Gustavo Fruet (PDT), esse é um passo importante a favor da inovação e as parcerias firmadas irão beneficiar toda a sociedade. "Precisamos olhar na manutenção do sistema e preservação das conquistas, mas também apontar tendências e caminhos no transporte de massa. Já temos modelos de ônibus elétrico circulando em outras cidades, mas esse é o primeiro que tem essa visão de trabalhar o articulado e biarticulado", diz.

Parceria

O ônibus elétrico híbrido será desenvolvido pela Volvo, que contará com o apoio técnico de professores e pesquisadores da UTFPR. Curitiba, assim, passa a integrar o City Mobitlity, projeto global de eletromobilidade da montadora e se une às cidades de Gotemburgo e Estocolmo (Suécia), Edimburgo (Escócia), Luxemburgo (Luxemburgo), Hamburgo (Alemanha), Montreal (Canadá), Bogotá (Colômbia), Xangai (China), Bangalore (Índia) e Cidade do México (México), que também testarão o veículo. Num segundo momento, o projeto deve chegar às cidades de Santiago (Chile) e São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Em Londrina (PR) empresas não se interessam por licitação de estações do BRT

Concorrência pública na cidade paranaense será reaberta depois que nenhuma empresa se interessou pelo processo
 
15/10/2014 - Bonde News, Guilherme Batista 


Perspectiva de estação do BRT - Londrina
Perspectiva de estação do BRT - Londrina
créditos: Reprodução
 
A Prefeitura de Londrina abriu licitação, no mês passado, para contratar a empresa responsável pela elaboração dos projetos das estações do Bus Rapid Transit (BRT), mas a concorrência pública deu "deserta". Ou seja, nenhuma terceirizada se interessou pelo processo. O resultado da concorrência foi publicado na edição desta terça-feira (14) do Jornal Oficial do Município. "Vamos precisar repetir a licitação", adiantou o secretário de Gestão Pública, Rogério Carlos Dias.
 
Segundo ele, a repetição da publicação da concorrência está prevista na Lei de Licitações. O secretário não soube explicar o que causou o desinteresse das empresas. "Enfrentamos o mesmo problema na licitação do Pmat (Programa de Modernização da Administração Tributária). Parece que o mercado de empresas executoras de projetos está saturado", especulou.
 
Ele contou, também, que muitas terceirizadas de Londrina desistem de participar dos certames mesmo sem analisá-los. "Os projetos são grandes e afastam as empresas locais", completou.
 
A licitação dos projetos das estações do BRT deve ser republicado ainda nesta semana. As empresas interessadas terão 30 dias para analisar o certame e apresentar propostas. "O prazo é longo para que a terceirizada tenha condições de analisar todo o edital, a relevância do objeto e os valores pedidos", justificou.
 
BRT
A empresa a ser contratada ficará responsável por elaborar os projetos para a construção das estações dos corredores do BRT, o sistema de transporte que vai interligar as regiões norte e sul e leste e oeste.
 
O "SuperBus", como vem sendo chamado o projeto, terá 23 estações além dos terminais já existentes. O investimento total é de R$ 144 milhões, sendo R$ 125 milhões como parte do PAC Mobilidade Urbana e R$ 19 milhões como contrapartida do município.
 
A licitação do projeto das estações tem valor de R$ 195 mil, e a empresa contratada terá 90 dias para apresentá-lo após a assinatura da ordem de serviço. Estão previstos no edital projeto arquitetônico, projeto de sinalização e comunicação visual, projeto estrutural completo e projeto de instalações elétricas, incluindo cabeamento para circuito interno de monitoramento.
 
Também estão previstos três tipos de estações, com ou sem passarelas, com metragens que variam de 578,53 a 954 metros quadrados.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Para fazer obras, Londrina aposta em empréstimos e aumenta dívida

01/10/2014 - Jornal de Londrina

Com baixa capacidade para fazer investimentos, a Prefeitura está apostando na contratação de empréstimos junto aos governos estadual e federal para fazer as obras que Londrina precisa. Os principais contratos feitos na gestão do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) aumentam a dívida municipal em R$ 221,4 milhões, passando dos R$ 381 milhões atuais para cerca de R$ 602 milhões – incluindo o empréstimo de R$ 50 milhões anunciado na semana passada para a ampliação do Aeroporto Governador José Richa e a implantação de dois parques industriais. A situação local é confortável, já que a capacidade total de endividamento é de R$ 1,3 bilhão (120% da Receita Corrente Líquida). Quando os novos contratos forem executados, a cidade estará usando 45,26% da capacidade de endividamento.

De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Daniel Pelisson, Londrina também está numa situação confortável em relação a outro parâmetro para limitar o endividamento, que é a capacidade de pagamento. Conforme prestação de contas do segundo quadrimestre apresentada sexta-feira passada na Câmara Municipal, a Prefeitura pagou, até agora, R$ 24 milhões para amortizar as dívidas. A previsão para o ano é de pagamento de R$ 48 milhões, bem abaixo do limite do que o Município pode comprometer anualmente com pagamento de dívidas, que é de R$ 127,4 milhões. "A capacidade de endividamento é alta, mas não me miro nisso", pontuou Pelisson.

A administração municipal está negociando mais um empréstimo, desta vez junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - o que é já foi tentado na gestão do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT), entre 2001 e 2008. O valor é de US$ 27 milhões (cerca de R$ 65,5 milhões), para obras que enfrentam problemas urbanos.

Limitadores

Além da capacidade de pagamento, o controlador da Câmara Municipal, Wagner Vicente Alves, explicou que existem outros parâmetros para limitar o endividamento.

Um deles é o de que a Prefeitura pode captar, no máximo, 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) por ano, o que hoje equivaleria a R$ 200 milhões – o que está "sob controle". Outro dado que deixa a situação confortável é que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) faz uma análise criteriosa do comportamento da arrecadação e dos limites de endividamento. "Existe a margem [para o endividamento] e ela foi conquistada ao longo de uma década. Não existia há 10 anos, a situação era muito pior, mas hoje as administrações conseguiram mudar esse cenário", explicou.

Na opinião do economista Renato Pianowski, professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apesar de necessários para a realização de grandes obras e de a Prefeitura estar em uma situação confortável, os financiamentos devem ser contratados com moderação. "O grande problema de se endividar nessa gestão é que compromete a flexibilidade de outras gestões, engessa", afirmou.

Por outro lado, Pianowski acrescentou que os gargalos estruturais que estão sufocando a cidade só poderão ser enfrentados com obras que a Prefeitura não conseguiria fazer com recursos próprios. "Se não se endivida, acaba não fazendo nada, a Prefeitura fica gastando só com folha de pagamento."

BRT e Arco Leste

A implantação do sistema de ônibus em canaletas, o chamado BRT (Bus Rapid Transit ou Transporte Rápido por Ônibus), a principal obra preparada pela atual gestão, é responsável por mais da metade dos empréstimos contraídos: R$ 125 milhões. Outra obra importante financiada pelos empréstimos é o Arco Leste, uma opção viária que vai unir a rodovia PR-445 à BR-369, saindo da Waldemar Spranger, passando por trás do aeroporto e pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com custo de R$ 15,5 milhões. Segundo o secretário municipal de Planejamento, Daniel Pelisson, essa é a única forma que a Prefeitura tem para fazer obras importantes. Ele lembrou que o orçamento de 2015 prevê R$ 191 milhões para investimentos – 12,77% do total.

Uma queixa recorrente do secretário é de que a concentração dos recursos arrecadados com a União é prejudicial aos municípios. "Nas últimas décadas descentralizaram os serviços, mas não os recursos." Para o economista Renato Pianowski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é preciso eleger prioridades. "Minha análise fria é a seguinte: tem de fazer algumas coisas que são prioritárias, mas não é porque tem limite [de endividamento] que tem de queimar e deixar [as dívidas] para os outros gestores."

Por esse motivo, Pianowski defendeu que a administração adote a cautela para fazer o que for necessário. Para ele, moderação é a palavra-chave nessa questão para não comprometer as futuras gestões.