sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Fim da tarifa única da RIT dificulta vida de usuários

20/02/2015 - Gazeta do Povo

As mudanças no sistema de transporte da região metropolitana de Curitiba devido ao fim da tarifa integrada causaram protestos ontem. Em Araucária, um grupo de 500 pessoas invadiu o terminal no fim da tarde para protestar contra o aumento de custos no trajeto até a capital. Com o fim da integração da tarifa, o trecho entre Araucária e Curitiba passou a custar R$ 5,80. Isso ocorre porque a desintegração afetou também o transporte municipal da cidade vizinha.

Desde ontem, não há mais integração entre os ônibus do Transporte Integrado de Araucária (Triar) com os terminais que fazem a integração com Curitiba. Ou seja: o usuário paga R$ 2,50 para uma linha alimentadora e precisa desembolsar mais R$ 3,30 para entrar no terminal e pegar um ônibus até a capital. Por enquanto, permanecem integrados o ligeirinho Curitiba/Araucária, que para no Terminal Capão Raso, e o troncal Araucária/Pinheirinho, que vai até o Terminal Pinheirinho.

Na prática, quem vai de Araucária a Curitiba paga R$ 11,60 para ir e voltar. Em nota, a prefeitura de Araucária se exime da responsabilidade pela alta no custo do transporte. O município alega não ter sido consultado sobre a mudança e põe o reajuste na conta da Urbs e da Comec.

Tempo

Para os moradores de Colombo que precisam se deslocar por Curitiba, a desintegração também gera perda de tempo. A linha Colombo/CIC foi substituída pela CIC/Cabral e não vai mais até o Terminal Maracanã. Agora, quem sai de Colombo tem duas opções de ônibus ligeirinho para fazer a integração no Cabral: o Colombo/Guaraituba ou Maracanã/Cabral. Com isso, o usuário que conseguia praticamente cruzar Curitiba no Colombo/CIC agora precisa descer no Cabral e fazer mais uma baldeação para ir a outro ponto da cidade.

O promotor de vendas Edson dos Santos, 43 anos, foi um dos prejudicados. Ele sai do terminal Guaraituba e precisa chegar ao Capão Raso todos os dias. Para ele, a integração com Curitiba já acontecia no Maracanã, ainda em Colombo. "Fico aqui esperando enquanto já poderia estar no centro se fosse um ônibus só."

A assistente administrativa Edineia de Freitas, 37 anos, engrossa o coro dos descontentes. "Eu levava uma hora para chegar ao trabalho. Agora já demora uma hora e meia". Para ela, o pior é pegar o ônibus em Colombo, porque a frequência das linhas é ruim.

A vendedora Maria Carolina Bertoncello, 18 anos, mora em Araucária e sempre dependeu de ônibus para chegar ao trabalho, no Portão, em Curitiba. Antes, com uma passagem ela saía de Araucária com um ônibus municipal e, com a integração, chegava sem problemas na capital. Mas, anteontem, ela foi surpreendida com a notícia de que tinha sido demitida. "Minha chefe disse que não ia pagar quatro passagens para mim por dia sendo que poderia pagar apenas duas para outra pessoa que mora perto. Foi ridículo o que fizeram com a população, sem contar que agora somos tratados como animais, com uma 'cela' separando a gente nos terminais."

Cleusa Alves, 53 anos, trabalha em uma indústria na CIC e viu seu tempo livre com a família se esvair com as mudanças nos ônibus. Antes, ela pegava um ônibus municipal e com o ligeirinho Araucária chegava ao Terminal CIC, de onde pegava um alimentador até o trabalho. Gastava 30 minutos. Com as mudanças, passou a gastar duas horas para chegar ao mesmo lugar. Agora ela precisa pegar um ônibus até o Capão Raso para só então chegar ao terminal CIC e pegar o mesmo alimentador de antes. "Moro há 30 anos aqui em Araucária e para mim nunca foi tão difícil e caro chegar a Curitiba."

Tribunal retoma julgamento de relatório da tarifa

O Tribunal de Contas do Paraná vai retomar na próxima quinta-feira o julgamento do relatório da auditoria que apontou irregularidades na tarifa de ônibus cobrada em Curitiba e região metropolitana. Segundo o TC, há a possibilidade de o relatório ser ampliado porque a desintegração parcial da Rede Integrada de Transporte (RIT) deveria ter provocado redução na tarifa da capital, não um aumento. Neste mês, a prefeitura aumentou a tarifa em 16% para pagamento em dinheiro, de R$ 2,85 para R$ 3,30.

Conforme o TC, desde a publicação do relatório, em 2013, a Urbs impetrou dois recursos de agravo, dois de declaração e dois de revisão. Todos eles são protelatórios porque precisam ser analisados antes de serem devolvidos ao relator, neste caso, o conselheiro Nestor Baptista.

O relatório da auditoria do TC mostrou que a tarifa deveria ser 16,7% menor do que a praticada na época (R$ 2,70). Desde então, a prefeitura já realizou dois reajustes – o primeiro em novembro de 2014, quando passou a custar R$ 2,85, e o segundo neste mês: R$ 3,30 para pagamento em dinheiro e R$ 3,15 para quem usa cartão transporte.

Segundo os auditores do tribunal, foram constatados problemas na composição tarifária. Entre os itens irregulares estão indícios de cartelização do sistema, anomalias na composição de custos e concessão de gratuidades e fragilidade da fiscalização do Sistema de Bilhetagem Eletrônica, que afere os passageiros transportados por dia.

Às escuras

Falta de informação irritou passageiros

Além das questões dinheiro e tempo, a falta de informação sobre as mudanças no sistema também irritou os usuários do sistema de transporte. No Terminal do Cabral, alguns cartazes alertavam os passageiros sobre a substituição da linha Colombo/CIC pela CIC/Cabral. Mesmo assim, muitos usuários tinham dúvidas sobre os ônibus que passariam a usar e quantas tarifas pagariam.

A assessoria de comunicação da Comec afirma que foram distribuídos folhetos e feitos telefonemas pré-gravados para residências dos municípios da região metropolitana. Além de mensagens nas redes sociais e informação via imprensa.

O esforço, porém, parece não ter sido suficiente. Procurada ontem, nem mesmo a Urbs sabia informar todas as alterações realizadas nos últimos dias nas linhas metropolitanas. Entre os motoristas também havia sinais de desinformação. Ontem de manhã, ônibus da linha Araucária/Portão (troncal, de cor laranja) não pararam dentro do Terminal Portão. Em entrevista ao jornal Paraná TV 1ª Edição, da RPCTV, o presidente da Comec, Omar Akel, afirmou que isso foi um erro causado por uma falha de comunicação. Segundo ele, hoje a situação deverá estar normalizada.

Motoristas e cobradores

Vale de fevereiro depende do governo, prefeitura e empresas

Para evitar atrasos como o do mês passado, uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) teve de ser realizada na véspera do pagamento do adiantamento salarial de motoristas e cobradores de ônibus, previsto para hoje. No encontro, a desembargadora Ana Carolina Zaina determinou que a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), a Urbs e o sindicato patronal se responsabilizassem com os R$ 7,5 milhões necessários para pagar o vale. A maior parte (R$ 4,5 milhões) deve ser depositada pela Comec até às 13h30 de hoje, com multa de R$ 1 milhão se não depositar. Já a Urbs e o sindicato patronal são responsáveis por R$ 1,5 milhão cada.

A audiência de ontem faz parte do dissídio coletivo da categoria, mas os porcentuais de reajuste nos salários de motoristas e cobradores têm ficado em segundo plano por causa da dificuldade das empresas. Elas alegam que Urbs e Comec têm atrasado o repasse dos valores devidos pela prestação do serviço. O Sindimoc, que representa os trabalhadores, pede reposição da inflação e aumento real de 6%.

Hoje, às 13h30, Urbs, Comec, empresas e trabalhadores voltam a se encontrar no TRT-PR. Antes, as partes devem se reunir para discutir possibilidades de manutenção da integração operacional e financeira do transporte.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Linhas de ônibus metropolitanas são 'encurtadas' em Curitiba

12/02/2015 - Gazeta do Povo

Os passageiros que usam os ônibus das linhas metropolitanas integradas foram surpreendidos ontem com um folheto que informava sobre mudanças no vale-transporte do sistema e alterações de linhas a partir de sábado. Segundo o informativo, por causa da separação tarifária entre as linhas urbanas, geridas pela Urbs (prefeitura de Curitiba), e as metropolitanas integradas, que são de responsabilidade da Comec (governo do estado), o vale-transporte será diferente para os dois sistemas, sem que isso comprometa a integração.

No entanto, a Comec optou por "encurtar" o itinerário de quatro ligeirinhos. Para não prejudicar os usuários dessas linhas, a Urbs optou por criar duas linhas urbanas novas como compensação (leia mais nesta página).

A bilhetagem eletrônica das metropolitanas ficará a cargo da Metrocard, empresa que faz o mesmo serviço para as linhas metropolitanas não integradas e é de propriedade das empresas de ônibus. Para o período de transição, os usuários das linhas metropolitanas integradas devem adquirir um vale-transporte de papel ou pagar em dinheiro. Ônibus, estações-tubo e terminais identificados com "M" só aceitarão o pagamento dessa forma. Em São José dos Pinhais, poderá ser usado o cartão Vem, que é o sistema do município.

Esse vale-transporte de papel já poderia ser adquirido desde ontem, na sede da Metrocard, que fica no centro de Curitiba. Como é um instrumento temporário, estará impresso em cada vale a data de validade. Quem adquiriu créditos do cartão-transporte via Urbs ou recebe o benefício no trabalho não poderá usar o cartão nessas linhas metropolitanas.

Ainda de acordo com o folheto, algumas linhas sofrerão alterações de trajeto, o que será informado com antecedência pela Comec e empresas. A Comec informou, via nota, que a partir de sábado haverá mudança no local de integração de quatro linhas metropolitanas integradas de ligeirinhos. A Colombo/CIC terá seu ponto de integração no terminal do Cabral; Araucária/Curitiba, no terminal do Capão Raso; São José/Barreirinha, no terminal do Boqueirão; e Campo Largo/Curitiba, no Campina do Siqueira.

Segundo o diretor presidente da Comec, Omar Akel, quando a prefeitura de Curitiba editou a nova tarifa só para a capital, deixou claro que a Urbs estava responsável apenas pela administração e pagamento das linhas urbanas e que a linhas metropolitanas seriam de responsabilidade do governo do estado, através da Comec. "Rapidamente estruturamos uma forma de deixar o sistema operando, com administração eficiente, que garantisse a continuidade da atividade e com forma de viabilizar seu custeio. Essas linhas que operam tem de ser pagas", diz. Com o encerramento do convênio entre os dois órgãos, a Urbs passou a reter o dinheiro da bilhetagem eletrônica correspondente às empresas metropolitanas para abater a dívida que a Comec tem com o atraso dos repasses do subsídio.

Durante o dia, muitos usuários do sistema reclamaram da mudança na bilhetagem no meio do mês, pois já teriam comprado os créditos para o mês inteiro ou recebido de seus empregadores. "A partir das reações que estão acontecendo hoje, estamos estudando se há alguma outra alternativa para resolver o problema dessas pessoas", disse Akel. A previsão é de que o novo projeto do sistema de bilhetagem, estrutura de fibra ótica e leitores de cartão sejam desenvolvidos em 90 dias.

A reportagem tentou contato com a Metrocard, no telefone informado no folheto e site, mas não obteve sucesso.

Manifestantes são recebidos por secretário

O secretário de municipal de Governo, Ricardo Mac Donald Ghisi, recebeu ontem de manhã representantes da Frente de Luta pelo Transporte, que acamparam na noite de terça-feira em frente da prefeitura pedindo a redução da tarifa. O secretário apresentou as medidas que o Executivo vem tomando para reduzir o custo do sistema de transporte, como a retirada de itens da planilha e um subsídio de R$ 2 milhões por mês destinado a evitar uma tarifa maior para o usuário. Também colocou a Urbs à disposição para apresentar todos os dados disponíveis sobre o assunto.

Via Facebook, a Frente informou que nas duas reuniões houve a mesma resposta, de que não haveria "disposição real de negociar com o movimento a redução da tarifa". O grupo desmontou o acampamento e se juntou à movimentação de servidores estaduais na Alep.

Urbs cria dois ligeirinhos para compensar mudanças

A Urbs optou pela criação de duas novas linhas de ônibus ligeirinho em Curitiba depois de a Comec anunciar que vai adotar um novo vale-transporte para as linhas metropolitanas integradas e a modificação no itinerário de quatro ligeirinhos (Colombo/CIC, Barreirinha/São José, Curitiba/Araucária e Curitiba/Campo Largo).

A partir de sábado, mesmo dia em que as linhas metropolitanas terão o itinerário "encurtado", passam a operar as linhas CIC/Cabral e Barreirinha/Guadalupe, que vão atender os usuários que vêm de Colombo e São José dos Pinhais. Apesar de a integração com uma passagem apenas estar garantida, passageiros que pegavam apenas um ônibus terão de fazer três trocas em alguns casos.

Por essas quatro linhas, circulam diariamente 82 mil passageiros e cada viagem (ida e volta) desses ônibus somam 195,9 quilômetros. As mudanças estão sendo informadas aos usuários por meio de cartazes e mensagens nos painéis eletrônicos nos terminais, estações e ônibus de Curitiba.

Quem usava a linha Colombo/CIC, saindo da região metropolitana, agora terá o terminal Cabral como ponto de integração. Para que os passageiros possam chegar até a Cidade Industrial pagando apenas uma passagem, passará a operar a linha CIC/Cabral, que passará pelo mesmo trajeto.

Mudança maior vai atingir os usuários do ligeirinho Barreirinha/São José. A partir de sábado, a linha fará o trecho São José/Boqueirão. A opção da Urbs para compensar essa linha encurtada foi a de criar o novo Barreirinha/Guadalupe e utilizar o já existente Boqueirão/Centro Cívico para fazer a baldeação. Dessa forma, quem saía de São José dos Pinhais e queria chegar até o Barreirinha, terá de pegar três ônibus pagando uma passagem. Esse passageiro deve ir até o terminal Boqueirão e pegar a linha Boqueirão/Centro Cívico. Será possível fazer a baldeação para o novo Barreirinha/Guadalupe nas estações-tubo Prefeitura, Comendador Fontana e Círculo Militar.

Os usuários do ligeirinho Araucária/Curitiba não virão mais ao centro da cidade, pois o ônibus vai parar no terminal Capão Raso, onde os usuários deverão optar por algum dos alimentadores da região. Com isso, a estação Rui Barbosa, que fica na Rua Desembargador Westphalen, será desativada.

Já os passageiros da linha Campo Largo/Curitiba agora desembarcarão no terminal Campina do Siqueira e não mais na estação tubo Hospital Militar, que será desativada pois esse era o único ônibus que parava no local.

Nova gestora da bilhetagem da RMC é das empresas de ônibus

A mudança para a Metrocard vai colocar o serviço de bilhetagem eletrônica de todas as linhas metropolitanas – integradas ou não – na mão das empresas de ônibus. A Metrocard é de propriedade dessas empresas, que já fazem a gestão da bilhetagem nas metropolitanas não integradas. Dessa forma, todo o dinheiro que é arrecadado com a venda de passagens já cai diretamente na conta das empresas, sem passar pelo poder público, como ocorre no sistema gerido pela Urbs. Em Curitiba, os valores arrecadados pelo cartão-transporte vão para o Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC) e depois são repassados para as empresas.

A tecnologia implantada no sistema de bilhetagem é apresentada no site como "uma das mais modernas existentes no Brasil" e é fornecida pela Dataprom, mesma empresa que desenvolveu o sistema adotado pela Urbs e que era alvo constante de reclamações por parte das operadoras.

Segundo Omar Akel, diretor presidente da Comec, a Metrocard vai funcionar num primeiro momento como a câmara de compensação da rede metropolitana. "Ali entram os recursos que serão distribuídos para as empresas", explica. A tendência é de que ela seja a empresa responsável pelos cartões.

As quatro linhas que serão encurtadas pela Comec transportavam diariamente 82 mil passageiros e rodavam a cada viagem 195,9 quilômetros. Conheça cada uma e veja as alternativas:

• Colombo/CIC transportava por dia 35,8 mil passageiros e tinha um trajeto, ida e volta, de 43,2 quilômetros. Agora, a linha para no terminal Cabral e quem quiser seguir viagem usará a nova CIC/Cabral.

• Barreirinha/São José transportava por dia 17,5 mil passageiros e fazia um trajeto total de 43,1 quilômetros. Agora, será desmembrada em duas novas linhas: a metropolitana São José/Boqueirão e a urbana Barreirinha/Guadalupe. Quem quiser usar as duas terá de pegar ainda o Boqueirão/Centro Cívico.

• Curitiba/Araucária atendia 19,9 mil passageiros por dia, com um trajeto total de 54,9 quilômetros. Agora, irá até o terminal Capão Raso, e não mais o centro da cidade.

• Campo Largo/Curitiba atendia 8,1 mil passageiros com um trajeto de 54,7 quilômetros. Agora, irá até o terminal Campina do Siqueira, e não mais ao centro da cidade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sistema de transporte sofre colapso anunciado em Curitiba

01/02/2015 - Gazeta do Povo

O sistema de transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana, a Rede Integrada de Transporte (RIT), sofre de um colapso anunciado. Os quatro dias de greve dos motoristas e cobradores por causa de atrasos sistemáticos no depósito dos salários, são apenas mais um sintoma de um projeto que vem se deteriorando financeira e estruturalmente nos últimos anos e que culminou, na última sexta-feira, com o anúncio feito pelo diretor-presidente da Comec, Omar Akel, de que o fim da tarifa integrada é um caminho sem volta. Horas após a declaração, o governo estadual informou que ainda nutria a esperança de negociar com a prefeitura de Curitiba a continuidade da integração.

No caso da greve dos trabalhadores, o estopim foi um atraso de R$ 16,5 milhões no repasse do subsídio do governo estadual. O montante é pequeno se comparado ao total movimentado por ano cerca de R$ 1 bilhão. Um aceno de R$ 5 milhões resolveu o impasse temporariamente. Mas a cada data de pagamento salarial há a insegurança de uma nova paralisação.

E fevereiro é um mês chave para o transporte: além da definição do reajuste salarial dos trabalhadores, um dos componentes que mais pesam, é o mês de revisão da tarifa de remuneração das empresas, estabelecidas por contrato.

Entenda quais os principais entraves do sistema:

Peso no bolso

Em 2013, a população saiu às ruas em todo o país bradando que não era só por R$ 0,20. Foi o suficiente para reverter o reajuste tarifário nas principais capitais. Em Curitiba, a passagem tinha subido de R$ 2,60 para R$ 2,85, em março. Quatro meses depois, caiu para R$ 2,70, valor vigente até novembro de 2014, quando voltou para R$ 2,85. A redução da tarifa aumentou a necessidade de dinheiro da prefeitura ou do estado no sistema. Sem acordo entre as partes, a solução é aumentar a tarifa do usuário para continuar bancando o sistema. A expectativa é que a tarifa deste ano fique em torno de R$ 3.

Sem dinheiro

A Rede Integrada de Transporte (RIT) tem 356 linhas em 14 municípios, todas com uma única tarifa e integração em terminais da capital e de cidades vizinhas. Mas só Curitiba e o governo do estado colocam dinheiro no sistema. Dos prefeitos das cidades beneficiadas pelo sistema, a maioria não está disposta a arcar com as despesas, alegando falta de orçamento. Como a prefeitura de Curitiba e o governo do estado sinalizam que não podem aportar mais verbas, o impasse está formado. Dos 13 municípios metropolitanos integrados, sete (incluindo Colombo e Almirante Tamandaré) dependem da RIT também para o transporte urbano dos passageiros. O fim da integração vai prejudicá-los.

Data base

Fevereiro é a data base dos motoristas e cobradores da RIT. A definição do reajuste salarial é crucial para estabelecer a tarifa, já que os gastos com pessoal e encargos sociais representam quase metade dos custos do sistema. Desde que o sistema foi licitado, em 2010, só naquele ano houve reposição da inflação. De 2011 para cá, a média de reajuste salarial é de 10% ao ano. Nos últimos anos, o aumento só foi definido em audiências na Justiça do Trabalho e a falta de acordo entre empregados e patrões já causou a paralisação total do sistema mais de uma vez. Para 2015, segundo a prefeitura, a categoria vai pedir reajuste de 15%, mais reposição da inflação (medido pelo INPC) a partir de 1º de fevereiro, 33% no vale alimentação e 50% na assistência médica. As negociações devem começar nesta semana.

Remuneração das empresas

Os anúncios de reajuste tarifário não ocorrem em fevereiro por acaso. O contrato da licitação definiu o mês como a data para o reajuste na remuneração das empresas, que é a tarifa técnica multiplicada pela quantidade de passageiros pagantes equivalentes (considerando quem paga integralmente a tarifa, as passagens de estudante e gratuidades). É a partir da definição da tarifa técnica que o prefeito estabelece o valor que será desembolsado pelos passageiros. Em 2010, essa tarifa técnica era de R$ 2,35 e o usuário pagava R$ 2,20. A evolução continuou desigual nos anos seguintes. A diferença entre o que era arrecadado com a passagem e o que deveria ser repassado para as empresas saltou de R$ 0,06 em 2011 para R$ 0,33 atualmente. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) já anunciou que a nova tarifa técnica da RIT deve ficar entre R$ 3,60 e R$ 3,80 mais possivelmente em R$ 3,75. Esse seria o valor que teria sido pedido pelas empresas para a Urbs. A partir da definição e de negociações com o governo estadual é que será anunciada a tarifa para o usuário.

Subsídio público

O déficit do sistema, que vem desde 2010, foi bancado por dois anos integralmente pela prefeitura de Curitiba. Gestora da Rede Integrada de Transporte (RIT), a Urbs administrava os três consórcios que foram licitados pelo município e, via convênio, as linhas metropolitanas integradas, que são contratadas pelo governo do estado. Esse convênio é um instrumento muito antigo na administração pública, mas só em 2012 o governo do estado anunciou a criação de um subsídio, correspondente aos passageiros transportados dos municípios metropolitanos. Nesse ano, foram repassados R$ 64 milhões. A medida de Beto Richa (PSDB) foi considerada eleitoreira, com o objetivo de cacifar o então prefeito Luciano Ducci, seu aliado político, na disputa pela reeleição. O plano não funcionou e, desde então, prefeitura e estado travam uma queda de braços para ver quem dá mais dinheiro pelo sistema. Aparentemente, a briga chegou ao fim com a decisão da Comec em administrar as próprias linhas e tocar o transporte metropolitano por conta. 

Estado e prefeitura buscam solução para não acabar com a RIT

02/02/2015 -  Paraná Online

O transporte coletivo da Região Metropolina de Curitiba (RMC) dificilmente será o mesmo até o final desta semana. Além do novo valor da tarifa, que pode passar de R$ 3, os próximos dias vão definir o futuro da Rede Integrada de Transporte (RIT), ameaçada pelo impasse entre governo do estado e prefeitura da capital.

A RIT permite a cobrança de uma única tarifa em deslocamentos entre Curitiba e os municípios vizinhos. Se acabar, as linhas intermunicipais terão passagem com valor diferente e não será mais possível a parada dos ônibus metropolitanos dentro dos terminais da capital.

O fim da RIT chegou a ser anunciado na última sextafeira, quando o presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Omar Akel, anunciou que não iria renovar o convênio com a prefeitura de Curitiba. Mas logo depois o Palácio Iguaçu divulgou uma nota na qual reafirma sua disposição em ?manter a integração, com tarifa única?. O governo estadual diz que pretende assumir 50% de eventual déficit do sistema. Esse déficit está na diferença entre a tarifa paga pelo usuário (hoje de R$ 2,85) e a tarifa técnica, paga às empresas de ônibus (R$ 3,18).

A prefeitura diz que vai assumir integralmente o subsídio do transporte urbano, mas que não se responsabilizar pelo transporte metropolitano, que é uma atribuição do governo do estado. Como a prefeitura já recusou a proposta de dividir a conta em 50%, não se sabe de que lado virá uma nova oferta que possa garantir a manutenção da RIT.

Nova Tarifa

Os usuários de ônibus já sabem que haverá aumento da tarifa esta semana, mas o valor continua indefinido. A expectativa é que o preço da passagem passe de R$ 3. Além do impasse sobre o subsídio, outra negociação em curso esta semana terá influência direta: o reajuste salarial de motoristas e cobradores. A folha de pagamento representa quase metade dos custos da planilha do transporte e o reajuste será repassado ao valor da tarifa. Uma reunião está marcada para as 14h30 de hoje, na Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego, para tratar de atraso no recolhimento do FGTS e paga mento de férias por parte de algumas empresas. Novas negociações devem acontecer na quinta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PR).

Manifestação

Manifestantes vão se reunir a partir das 18h de hoje, na Boca Maldita. Nas redes sociais, mais de 30 mil pessoas já confirmaram presença na manifestação, organizada pela Frente de Luta pelo Transporte.