quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Linhas de ônibus metropolitanas são 'encurtadas' em Curitiba

12/02/2015 - Gazeta do Povo

Os passageiros que usam os ônibus das linhas metropolitanas integradas foram surpreendidos ontem com um folheto que informava sobre mudanças no vale-transporte do sistema e alterações de linhas a partir de sábado. Segundo o informativo, por causa da separação tarifária entre as linhas urbanas, geridas pela Urbs (prefeitura de Curitiba), e as metropolitanas integradas, que são de responsabilidade da Comec (governo do estado), o vale-transporte será diferente para os dois sistemas, sem que isso comprometa a integração.

No entanto, a Comec optou por "encurtar" o itinerário de quatro ligeirinhos. Para não prejudicar os usuários dessas linhas, a Urbs optou por criar duas linhas urbanas novas como compensação (leia mais nesta página).

A bilhetagem eletrônica das metropolitanas ficará a cargo da Metrocard, empresa que faz o mesmo serviço para as linhas metropolitanas não integradas e é de propriedade das empresas de ônibus. Para o período de transição, os usuários das linhas metropolitanas integradas devem adquirir um vale-transporte de papel ou pagar em dinheiro. Ônibus, estações-tubo e terminais identificados com "M" só aceitarão o pagamento dessa forma. Em São José dos Pinhais, poderá ser usado o cartão Vem, que é o sistema do município.

Esse vale-transporte de papel já poderia ser adquirido desde ontem, na sede da Metrocard, que fica no centro de Curitiba. Como é um instrumento temporário, estará impresso em cada vale a data de validade. Quem adquiriu créditos do cartão-transporte via Urbs ou recebe o benefício no trabalho não poderá usar o cartão nessas linhas metropolitanas.

Ainda de acordo com o folheto, algumas linhas sofrerão alterações de trajeto, o que será informado com antecedência pela Comec e empresas. A Comec informou, via nota, que a partir de sábado haverá mudança no local de integração de quatro linhas metropolitanas integradas de ligeirinhos. A Colombo/CIC terá seu ponto de integração no terminal do Cabral; Araucária/Curitiba, no terminal do Capão Raso; São José/Barreirinha, no terminal do Boqueirão; e Campo Largo/Curitiba, no Campina do Siqueira.

Segundo o diretor presidente da Comec, Omar Akel, quando a prefeitura de Curitiba editou a nova tarifa só para a capital, deixou claro que a Urbs estava responsável apenas pela administração e pagamento das linhas urbanas e que a linhas metropolitanas seriam de responsabilidade do governo do estado, através da Comec. "Rapidamente estruturamos uma forma de deixar o sistema operando, com administração eficiente, que garantisse a continuidade da atividade e com forma de viabilizar seu custeio. Essas linhas que operam tem de ser pagas", diz. Com o encerramento do convênio entre os dois órgãos, a Urbs passou a reter o dinheiro da bilhetagem eletrônica correspondente às empresas metropolitanas para abater a dívida que a Comec tem com o atraso dos repasses do subsídio.

Durante o dia, muitos usuários do sistema reclamaram da mudança na bilhetagem no meio do mês, pois já teriam comprado os créditos para o mês inteiro ou recebido de seus empregadores. "A partir das reações que estão acontecendo hoje, estamos estudando se há alguma outra alternativa para resolver o problema dessas pessoas", disse Akel. A previsão é de que o novo projeto do sistema de bilhetagem, estrutura de fibra ótica e leitores de cartão sejam desenvolvidos em 90 dias.

A reportagem tentou contato com a Metrocard, no telefone informado no folheto e site, mas não obteve sucesso.

Manifestantes são recebidos por secretário

O secretário de municipal de Governo, Ricardo Mac Donald Ghisi, recebeu ontem de manhã representantes da Frente de Luta pelo Transporte, que acamparam na noite de terça-feira em frente da prefeitura pedindo a redução da tarifa. O secretário apresentou as medidas que o Executivo vem tomando para reduzir o custo do sistema de transporte, como a retirada de itens da planilha e um subsídio de R$ 2 milhões por mês destinado a evitar uma tarifa maior para o usuário. Também colocou a Urbs à disposição para apresentar todos os dados disponíveis sobre o assunto.

Via Facebook, a Frente informou que nas duas reuniões houve a mesma resposta, de que não haveria "disposição real de negociar com o movimento a redução da tarifa". O grupo desmontou o acampamento e se juntou à movimentação de servidores estaduais na Alep.

Urbs cria dois ligeirinhos para compensar mudanças

A Urbs optou pela criação de duas novas linhas de ônibus ligeirinho em Curitiba depois de a Comec anunciar que vai adotar um novo vale-transporte para as linhas metropolitanas integradas e a modificação no itinerário de quatro ligeirinhos (Colombo/CIC, Barreirinha/São José, Curitiba/Araucária e Curitiba/Campo Largo).

A partir de sábado, mesmo dia em que as linhas metropolitanas terão o itinerário "encurtado", passam a operar as linhas CIC/Cabral e Barreirinha/Guadalupe, que vão atender os usuários que vêm de Colombo e São José dos Pinhais. Apesar de a integração com uma passagem apenas estar garantida, passageiros que pegavam apenas um ônibus terão de fazer três trocas em alguns casos.

Por essas quatro linhas, circulam diariamente 82 mil passageiros e cada viagem (ida e volta) desses ônibus somam 195,9 quilômetros. As mudanças estão sendo informadas aos usuários por meio de cartazes e mensagens nos painéis eletrônicos nos terminais, estações e ônibus de Curitiba.

Quem usava a linha Colombo/CIC, saindo da região metropolitana, agora terá o terminal Cabral como ponto de integração. Para que os passageiros possam chegar até a Cidade Industrial pagando apenas uma passagem, passará a operar a linha CIC/Cabral, que passará pelo mesmo trajeto.

Mudança maior vai atingir os usuários do ligeirinho Barreirinha/São José. A partir de sábado, a linha fará o trecho São José/Boqueirão. A opção da Urbs para compensar essa linha encurtada foi a de criar o novo Barreirinha/Guadalupe e utilizar o já existente Boqueirão/Centro Cívico para fazer a baldeação. Dessa forma, quem saía de São José dos Pinhais e queria chegar até o Barreirinha, terá de pegar três ônibus pagando uma passagem. Esse passageiro deve ir até o terminal Boqueirão e pegar a linha Boqueirão/Centro Cívico. Será possível fazer a baldeação para o novo Barreirinha/Guadalupe nas estações-tubo Prefeitura, Comendador Fontana e Círculo Militar.

Os usuários do ligeirinho Araucária/Curitiba não virão mais ao centro da cidade, pois o ônibus vai parar no terminal Capão Raso, onde os usuários deverão optar por algum dos alimentadores da região. Com isso, a estação Rui Barbosa, que fica na Rua Desembargador Westphalen, será desativada.

Já os passageiros da linha Campo Largo/Curitiba agora desembarcarão no terminal Campina do Siqueira e não mais na estação tubo Hospital Militar, que será desativada pois esse era o único ônibus que parava no local.

Nova gestora da bilhetagem da RMC é das empresas de ônibus

A mudança para a Metrocard vai colocar o serviço de bilhetagem eletrônica de todas as linhas metropolitanas – integradas ou não – na mão das empresas de ônibus. A Metrocard é de propriedade dessas empresas, que já fazem a gestão da bilhetagem nas metropolitanas não integradas. Dessa forma, todo o dinheiro que é arrecadado com a venda de passagens já cai diretamente na conta das empresas, sem passar pelo poder público, como ocorre no sistema gerido pela Urbs. Em Curitiba, os valores arrecadados pelo cartão-transporte vão para o Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC) e depois são repassados para as empresas.

A tecnologia implantada no sistema de bilhetagem é apresentada no site como "uma das mais modernas existentes no Brasil" e é fornecida pela Dataprom, mesma empresa que desenvolveu o sistema adotado pela Urbs e que era alvo constante de reclamações por parte das operadoras.

Segundo Omar Akel, diretor presidente da Comec, a Metrocard vai funcionar num primeiro momento como a câmara de compensação da rede metropolitana. "Ali entram os recursos que serão distribuídos para as empresas", explica. A tendência é de que ela seja a empresa responsável pelos cartões.

As quatro linhas que serão encurtadas pela Comec transportavam diariamente 82 mil passageiros e rodavam a cada viagem 195,9 quilômetros. Conheça cada uma e veja as alternativas:

• Colombo/CIC transportava por dia 35,8 mil passageiros e tinha um trajeto, ida e volta, de 43,2 quilômetros. Agora, a linha para no terminal Cabral e quem quiser seguir viagem usará a nova CIC/Cabral.

• Barreirinha/São José transportava por dia 17,5 mil passageiros e fazia um trajeto total de 43,1 quilômetros. Agora, será desmembrada em duas novas linhas: a metropolitana São José/Boqueirão e a urbana Barreirinha/Guadalupe. Quem quiser usar as duas terá de pegar ainda o Boqueirão/Centro Cívico.

• Curitiba/Araucária atendia 19,9 mil passageiros por dia, com um trajeto total de 54,9 quilômetros. Agora, irá até o terminal Capão Raso, e não mais o centro da cidade.

• Campo Largo/Curitiba atendia 8,1 mil passageiros com um trajeto de 54,7 quilômetros. Agora, irá até o terminal Campina do Siqueira, e não mais ao centro da cidade.

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