Curitiba

Mais que ponto de ônibus, estações-tubo de Curitiba vão gerar energia limpa

16/12/2021 - Tribuna, Curitiba

Estação-tubo Dom Pedro I, no Água Verde. Foto Pedro Ribas / SMCS


Um dos famosos cartões-postais de Curitiba, as estações-tubo, podem ser muito mais que um ponto de ônibus para biarticulados e ligeirinhos. Isto porque uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) vai começar a testar a sustentabilidade energética a partir de células fotovoltaicas que vão ficar em cima dos pontos de ônibus.

A estação-tubo Itajubá, localizada na Avenida República Argentina, será a primeira a ser testada. Os estudos serão iniciados em 2022 e fazem parte de um contrato formalizado nesta semana entre a UFPR e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).


Estação-tubo com placas fotovoltaicas. Foto Divulgação


“Caminhamos para colocar em prática o conceito de sustentabilidade na estrutura do transporte de Curitiba”, ressalta a coordenadora do setor de Transportes e Mobilidade do Ippuc, Olga Prestes.

Com aporte de R$ 243.455,51 em recursos da Prefeitura, a UFPR será a responsável pela elaboração do projeto elétrico, aplicação e o monitoramento pelo período de um ano, com entrega de relatórios mensais. 

O trabalho integra as prioridades da Prefeitura, como parte dos programas estratégicos Viva Curitiba Tecnológica, Viva uma Nova Mobilidade Urbana e Viva uma cidade mais Sustentável, definidos no plano de governo 2021-2024 vinculados à geração de energia limpa, referendada pelo Planclima, e à sustentabilidade energética no transporte.  

O laboratório do Grupo de Dispositivos Nanoestruturados (DiNE/UFPR) ficará responsável por fazer acompanhamento técnico de todo o projeto, desde a instalação ao monitoramento do desempenho dos módulos solares de cada uma das duas estações-tubo.

Prova de conceito

Os testes a serem realizados pela UFPR seguirão prova de conceito já concluída pela Universidade, da geração energética a partir de Filmes Fotovoltaicos Orgânicos, chamados de OPV (Organic Photovoltaics) em estações-tubo, com base em estudos aplicados desde 2018 em uma estação cedida pelo município. Nos testes realizados pela UFPR, a energia gerada pelos painéis solares em um mês foi de aproximadamente 80 kWh, ou 7,3 kWh/m2 por mês. 

Serão instalados módulos OPV de fabricantes diferentes nas duas estações-tubo Itajubá. As estações foram escolhidas pela localização estratégica quanto à insolação e por estarem situadas no eixo sul que está sendo requalificado para receber o Ligeirão Norte-Sul. 

O laboratório DiNE/UFPR ficará responsável por fazer acompanhamento técnico de todo o projeto da instalação ao monitoramento do desempenho dos módulos solares de cada uma das duas estações-tubo. O projeto terá a gestão da física e analista em Ciência e Tecnologia da universidade, Anna Gabriella Tempesta, e supervisão da professora-doutora Lucimara Roman, do DiNE.

Próximos passos

Uma vez que a tecnologia seja validada em reais condições de uso e que se tenha um comparativo do desempenho dos módulos OPV de dos dois fabricantes, a Prefeitura Municipal de Curitiba poderá utilizar o relatório técnico para reproduzir o projeto em outras estações-tubo e corredores de transporte, entre eles o Leste-Oeste que está sendo projetado para operar com ônibus elétricos.

A contratação da UFPR pelo município se deu por dispensa de licitação, atendendo a Lei Federal 8.666/93, art. 24, inciso XIII, que prevê a “contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos”, nos moldes do decreto municipal 610/2019.