domingo, 13 de outubro de 2013

Como é a nossa Blumenau

12/10/2013 - Jornal de Santa Catarina - Blumenau

Temos orgulho de onde moramos e não pretendemos sair daqui. Quando assistimos aos desfiles e percebemos a cultura evocada pela Oktoberfest, nos reconhecemos. Enxergamos Blumenau como uma cidade boa para viver com a família. Um local prestigiado e visitado. Onde as empresas têm condições para crescer. Apesar disso, poderíamos ter mais e melhores oportunidades de trabalho. A infraestrutura de transporte, como conserto de ruas e organização do trânsito têm muito a melhorar. Assim como os ônibus e a prestação de serviços públicos.

Em linhas gerais, essa é a percepção do morador de Blumenau em relação ao município. A constatação é de uma pesquisa feita por quatro professores e 11 acadêmicos do curso de Publicidade e Propaganda da Furb. A coordenadora geral do trabalho, professora doutora Fabricia Durieux Zucco, explica que a intenção da pesquisa feita com 417 moradores, em setembro, é compreender a marca Blumenau – por marca, entende-se tudo o que é associado à cidade.

O levantamento e cruzamento dos dados é a base para uma série de trabalhos acadêmicos teóricos que serão feitos dentro da universidade. A pesquisa segue um padrão internacional consolidado para avaliar marcas de cidades. A fim de que o resultado chegasse o mais próximo possível da realidade, foram seguidos os mesmos padrões usados pelo IBGE em 2010, durante o Censo, usando amostragem distribuídas entre sexos, classe social e bairros.

Para Fabricia, a pesquisa mostra que a cidade segue no caminho correto, já que boa parte das respostas estão entre as notas média e alta. Ela avalia que a percepção que resultou em uma nota baixa para os serviços públicos, pode, entre outras razões, ter relação com a construção de uma ideia ruim sobre eles. Ela exemplifica: se uma pessoa aguarda 30 dias para conseguir um médico especialista por meio do SUS, mas vê repetidamente os problemas graves na saúde pública em outras regiões, pode criar a ideia de que o atendimento em Blumenau também é muito ruim.

O levantamento corrobora o resultado de outra pesquisa feita pelos acadêmicos da Furb em 2011. O tema era felicidade. Na época, 70,6% dos blumenauenses disseram ser felizes e outros 19,8% completamente felizes. Outro resultado relevante apontado pela pesquisa é o reconhecimento das tradições.

– A cidade tem discutido o que tratamos como cultura alemã. É interessante constatar que, mesmo assim, há uma forte identificação com ela – avalia Fabricia.

Destaque como polo econômico contribui para imagem da cidade, explica economista

Reconhecer-se na cultura germânica é natural para quem tem a arquitetura enxaimel – verdadeira ou não – na paisagem diária, reconhece os imigrantes na culinária rotineira, vê olhos azuis com frequência, escuta e entende palavras básicas da língua dos antepassados, reflete a diretora de Patrimônio Histórico e Museológico de Blumenau, Sueli Petry. A historiadora explica ainda que a cultura que vivemos hoje é blumenauense, e não mais alemã propriamente dita por conta do tempo e as mudanças naturais que as tradições sofreram. Apesar disso, há um reconhecimento – com estímulo comercial, inclusive – de que, como aponta a pesquisa, o blumenauense vê a cidade como ainda alemã e que zela para manter as tradições.

– Blumenau realmente é diferente de outras cidades em termos de tradições. O fato é que as pessoas se sentem pertencentes a essa cultura – explica Sueli.

Para a construção da percepção do blumenauense – nato ou por opção – em relação ao município, um dos sentimentos primordiais é o de pertencer à cidade, explica o economista e coordenador do Sistema de Informações Gerenciais de Apoio à Decisão (Sigad), Nazareno Schmoeller. Do ponto de vista econômico e social, a oferta de trabalho, atividades culturais e as experiências pessoais são fundamentais ao construir uma percepção do município. O destaque de Blumenau como polo econômico e pioneiro no Estado contribui para a imagem da cidade cultuada tanto interna quanto externamente.

Governo municipal planeja melhorias no transporte

Os pontos com avaliação mais crítica da pesquisa estão relacionados à infraestrutura viária e ao transporte coletivo

Os pontos com avaliação mais crítica da pesquisa estão relacionados à infraestrutura viária e ao transporte coletivo. O secretário de Planejamento Urbano, Alexandre Gevaerd, reconhece que os investimentos em infraestrutura viária não acompanharam o crescimento de 7,36% da frota na última década. No mesmo período, a população cresceu 1,34% ao ano.

Os bairros mais adensados nesse período são os próximos ao Centro, o que piorou o trânsito na região que tem poucas opções de vias. Gevaerd afirma que a prefeitura está concluindo um planejamento para o transporte em Blumenau que trará soluções a médio e longo prazo. Além de mais ruas, ligações com outras cidades, mais corredores de ônibus, ciclovias e o estudo de um novo modal de transporte, a educação será prioridade, segundo o secretário:

– Ela é o primeiro ponto a ser trabalhado. Há a percepção de que tudo fica pior se não há educação e segurança no trânsito. Se as pessoas colaboram uma com as outras, as coisas já começam a melhorar.

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